sexta-feira, maio 23, 2014

segunda-feira, maio 12, 2014

O "nada" a favor do humano - Célia Musilli


Texto de Célia Musilli sobre o Dia do Nada e sobre mim:
"Eu era então editora de cultura e muitas vezes fui questionada sobre o por que de manter no jornal um colunista como o Rubens. Mais de uma vez tive que explicar que a arte acadêmica tinha seu valor, mas precisávamos, já atrasados, nos ligar ao contemporâneo, com as vertentes mais ousadas, às vezes incompreendidas, que abarcam não só a arte "normal", mas também a produção de portadores de problemas mentais como Jardelina. Sempre encarei a arte como um exercício de liberdade, um dos únicos que não preveem fronteiras e, neste sentido, a coluna Alfabeto Visual alfabetizava o gosto, desviando-o dos padrões. "
http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1021-20140511&tit=celia+musilli

quinta-feira, maio 08, 2014

Colaborações DDD 2014

Cy Claudel

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não acão.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.
Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.
Tao Te Ching 道德經 (Cap.48)


 Valentine Camerron Prisep-sweet repose


Dimi Éter: ...o barco descansa e o poeta nada...

Eliane Boscatto
"Sou
Seu
Cio
Sou
Seu
ócio
Sou
Seu
Sócio
no
Prazer.
(P.L)
Viva a vagabundagem!!!

(contribuição de Maria Selma Teixeira Alves)

Nelson Capucho


Bolhas de Sabão - por Célia Musilli


O Nada pode ser lúdico, fui fazer bolhinhas de sabão no Shopping Prado, em Campinas. Mal comecei um segurança veio falar comigo, incomodado. Estranhou a atitude num shopping, onde todos compram, comem, bebem. Expliquei do que se tratava, ele me disse: “Quando for assim a senhora deve falar antes com a administração.” Imaginem, falar com a administração para fazer bolhas de sabão e ainda dizem que o nonsense é meu.
Então, compreendi que o Dia do Nada é tudo aquilo que já dissemos: um movimento contra o trabalho obrigatório, o automatismo, a mais valia. Mas hj percebi que o “nadismo” vai além disso, mexe com estruturas postas , ainda que seja em manifestações das mais inocentes, como forma de intervenção urbana.
Pouco antes, no mesmo shopping, eu havia ficado quase uma hora numa fila de Correio, com um pequeno envelope com um livro para postar, enquanto vendedores postavam 30, 20 caixas antes de mim. Nada contra os vendedores, mas vi que as pessoas na fila têm uma atitude completamente bovina, ninguém reclama, todos suportam a espera de um serviço cheio de falhas. Então, o Dia do Nada é isso, um lembrete de que tudo está automatizado e que somos máquinas operantes, qualquer atitude diferente causa estranhamento, causa ruído. Nada mais urbano que um shopping, nada mais automatizado do que trabalhar para comprar e esperar em filas. Nada mais lúdico que uma bolha de sabão cortando o cenário da pasmaceira aprovada pela administração.
Ah! Se fossemos uns mil hj, enchendo o mundo de sabão e ilusão!
(Célia Musilli

Macunaíma





Toque do André Amaral
https://www.youtube.com/watch?v=bhsKcw15ILU

Nada Marx



DIA DO NADA CASADO COM O ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DE KARL MARX, o cara que dissecou as relações produtivas. Assim, é bom lembrarmos que o DDN não é contra o trabalho, dado que trabalho é a energia gasta por qualquer corpo para se locomover de A a B. O Dia do Nada é contra o trabalho escravo, mecânico e sem prazer. Assim como é contra a ganância pela mais valia e pelo lucro. Ao contrário do que parece DDN e MARX, assim, tem tudo a ver.

segunda-feira, maio 05, 2014

Colecionador de Nuvens - Dia do Nada 2014



            Muita gente tem um passatempo na vida. Uns colecionam carros, outros colecionam selos. Há pessoas que usam seu tempo livre para praticar um esporte. Outros, para se divertir. Há os que esperam chegar o fim de semana e vão ao bar, beber. Ou saem para dançar. Quanto a mim, todo tempo que me sobra gasto em preencher uma coleção que jamais chegará ao fim. Eu coleciono nuvens. É. Nuvens. Todas as tardes, antes do sol se colocar inteiramente no poente, saio apressado portão afora de casa à cata delas, que se modificam velozmente e se tornam outras e mais outras. E no outro dia é tudo igual, mas também é tudo diferente. Não se repetem as formas. Mas também não se repetem as cores que elas capturam do céu, tornando-as únicas a cada olhar.
            Você deve estar se perguntando como eu as capturo para a minha coleção, mas não se coleciona nuvens como quem coleciona seixos, por exemplo, pois nuvens são muito mais etéreas, sem chegar a ser como os sonhos. Quem coleciona sonhos sabe que não pode contar com o volume, densidade, espessura ou textura da forma em suas mãos, ainda que, no sonho, aquilo que foi sonhado pareça real. Digamos que uma coleção de nuvens é mais parecida com uma coleção de estrelas, apenas que você não pode contar com mapas para catalogá-las e juntá-las em constelações.
            Todavia, para além das categorias dos nimbos, cúmulus e cirros e as derivações que se fazem destas, desenvolvi uma técnica própria para torná-las, ainda que de modo efêmero, minhas. Aquela, gorda, grande e branca que deixa-se contaminar por um raio de luz vermelha, ela agora está grávida de cor. Calculo seu tamanho pela proporção que varia da volúpia carnal à distância do beijo leal entre dois amigos. Outra, que desce cinza escuro do céu para pousar na linha do horizonte, concebo-a como nuvem macho e sei que é dada aos sentimentos. Por pouco não chora, fechando o dia para melancolias ou uma sessão de pipocas diante da TV. Algumas, mais extrovertidas, me pedem para tirar foto delas (você não sabia que nuvens gostam de tirar fotos?). E é por meio das fotos que elas me concedem tirar que me distingo delas e evito tornar-me um nefelibata. Se assim fosse, não poderia sentir forte vontade de morrer, quando o avião decola e as recorta enquanto ganha altitude, como aconteceu da última vez. Era como se transpassássemos uma cadeia de montanhas gigantescas ou, senão, uma imensidão macia de cores quentes e frias se misturando ao branco e cinza e prateado e dourado sobre o azul do céu de fim de tarde. Aquilo era o paraíso que mamãe me contava. Que tinha um Deus sorridente me esperando para a eternidade. Era aquilo que eu queria ter, mas sabia que não pertencia àquilo, ainda.
            Desde então, tenho cada vez mais me afeiçoado e me aperfeiçoado na técnica de colecioná-las. Todo pôr-do-sol é oportunidade. Toda chuva se armando de um dos lados da cidade é motivo para mais uma busca. Hoje é um arco íris inteiro. Amanhã, uma franja em forma de nuvem. Depois, um carneirinho, um elefante, um dragão. Tenho todas elas e nenhuma delas é minha, porque são do instante. São de quem consegue ver pureza e graça em nada ser. São de quem se deixa ser delas e se tornarem, também, efêmeros com elas. E livres, uma vez que são filhas da água e sacerdotes do vento.
            Posto, abaixo, algumas amostras de minha coleção. No entanto, perdi as fichas de informação sobre as imagens e não sei mais exatamente do que se tratam, dado que minha surpresa, diante de tanta beleza, tirou a concentração e nada pude fazer senão o click da foto. Peço a gentileza, caso alguém se permita a vê-las e, vendo, tiver desejo de nomeá-las e comentar sobre elas, que assim o faça, certo de que farei desses comentários a legenda de minhas nuvens, compartilhando, em autoria, tal esforço de catalogação.














quinta-feira, maio 01, 2014

DDN 2014 - convocatória


Caros nadistas, próxima segunda feira já é o DDN 2014, em sua 13ª edição. Minha proposta para este ano é a mais simples possível. Que cada um, do canto que estiver faça acontecer alguma situação nadística. Isto é, convido-os todos para, em algum momento do dia deitar-se na rede para um momento e de relax; brincar com o cachorro sem pensar que aquela hora você deveria estar estudando ou trabalhando; bater uma bola de tarde para relaxar; soltar pipa com a criançada, dormir, tirar algum som para ninguém ouvir, etc. etc. como vocês podem ver no nosso blog: http://nothingday.blogspot.com/ De minha parte, ainda não decidi direito, mas é possível que eu leve uma rede de dormir para uma praça no centro da cidade de Goiânia e passe lá uma parte da tarde. Do seu 'nada' eu gostaria de receber fotos, vídeos ou gravações de áudio para poder alimentar o blog e dar sequência a esse evento que todos nós curtimos. Se quiserem mais informações, entrem em contato. Um abraço e um beijo a todos os irmãos e irmãs de vadiagem (tipo de jogo de capoeira).

NO NEWS

https://www.youtube.com/watch?v=Q4pY3QtiGyo&feature=youtu.be