terça-feira, maio 16, 2006

Ana Lucca - correspondente de Guaratuba






Guaratuba, 1 de maio de 2006.

Quando se paga pra não fazer nada a coisa é muito mais organizada. Não é de hoje que se descobriu a preguiça alheia como um ótimo negócio. O pessoal aqui em guaratuba não perdeu tempo nesse dia do nada...
Os severinos estavam a postos com suas redes. Desfilando as cores e os deliciosos hábitos nordestinos pelo litoral paranaense. Esse comércio do relax rendeu belas imagens como a árvore de redes, em plena avenida central, cercada por um muro todo colorido de panos...
Os serviços são os mais variados... desde um jovem peruano que, pasmem, escreve seu nome em um grão de arroz a preços simbólicos, até uma simpática engenhoca que é, ao mesmo tempo, veículo, forno à lenha e balcão de vendas... a pizzaria ambulante que conta ainda com um sistema de autofalantes: “olha a pizzaaaaaaaa”.
Teve até Plástico Bolha em doses terapêuticas. Com o impagável slogan: “Ta Nervoso, Aperte Bolha”. 2,5 m de saúde mental no 1,99 mais próximo de você...

sexta-feira, maio 12, 2006

Patrícia


foto: Carlos Bozzelli para a Folha de Londrina

ddn - cwb - e/ou - 2006 - CURITIBA


registros e imagens que rolaram no ddn na e/ou, com legendas:



- cartaz do gesto anulativo, performance de goto


















- tainhada










- da estética à embriaguez: work in pirinha & test drive






















- jogo dos sete erros















- pós-desconstrutivismo










- edições sobre cenas banais - estudo dos movimentos

- participaram do ddn - cwb - e/ou - 2006:Lourdinha, Lui, Cris Bouger, Claudia Washington, Ana González, Jaqueline Daher, Nena Inoue, Goto, e 4 tainhas. No meio do processo recebemos a visita das vizinhas Carmen Jorge e sua filha Ana Vitória. detalhe: o ddn rolou por aqui antes mesmo de inaugurarmos a própria e/ou...

deu na gazeta do povo, em Curitiba



DDN na capital paranaense, dia 02/05

quarta-feira, maio 03, 2006

ideologia da bagaça

Bem, o movimento gerou certas reflexões, este ano. Talvez pela presença do Cris e do Marcelinho, juntos. Talvez porque tenha caído em dia de feriado de 01de maio o DDN deste ano. Talvez porque é ano eleitoral e o troféu mosca morta agitou os ânimos críticos das pessoas que puderam votar livremente e usar o microfone para falar. Porque neste ano tinha aparelhagem para som e isto foi um grande diferencial em relação aos outros anos.

Algumas das reflexões se relacionam, evidentemente, com a questão do trabalho em nossa sociedade. Quando Cris propôs o emprego diário no trabalho, duas horas por dia, então foi detonado um processo dialético no evento, que superou a quantidade de pessoas que apareceram na frente do Banco do Brasil, no calçadão de Londrina, neste ano para ver e realizar o ócio.

Pensando nisso, preferi comemorar depois – já na saudação com a taça de vinho – o trabalho, segundo o conceito da física que diz que trabalho é a energia empregada por um corpo para se movimentar de um ponto A qualquer a um ponto B.
Ou seja, nesta concepção tudo é trabalho. E quando tudo está trabalhando, disso pode-se tirar uma constante e essa constante ser uma medida para Repouso.
Deixe-me explicar. Eu posso passar a vida empregando meu tempo em algo, trabalhando incessantemente, desde que eu tenha prazer e amor naquilo ao qual estou empenhado em realizar.
Um verdadeiro nadista não tem a intenção de ocupar ninguém em desenvolver máquinas de empregos que trarão o desenvolvimento e o progresso técnico a poucas pessoas que irão lucrar com isso, enquanto o planeta é violentamente degradado com mais poluição e doenças típicas de nossa sociedade industrial, consumista e capitalista. Ainda que seja para trabalhar duas horas por dia e passar o resto do dia na folga.
Aliás, por experiência própria, haja o que fazer quando se tem tanto tempo disponível para não se fazer nada!

Obviamente o Troféu Mosca morta foi para o presidente Lula, que ganhou de concorrentes fortes, como o prefeito, ou sindicatos que oferecem promoção de brindes e shows musicais para atrair os trabalhadores em manifestação do Dia do Trabalho. Houve discursos emocionados, chamando empresários e políticos de vagabundos, mas para quem está propondo um evento para saudar a vagabundagem, na hora do meu voto, fiz questão de lembrar que a maioria desses que estavam sendo chamados de vagabundos eram homens que trabalhavam, de fato, muito. Pessoas que acordam cedo, que dormem tarde, não tenho dúvidas. E que, de morto, eles nada têm. Ao contrário, se deixarmos as coisas caminharem no sentido que eles pretendem, quem vai acabar morrendo somos nós, que não somos tão espertos. O problema dessas pessoas, simplesmente, recai no fato de que seus interesses são contra os interesses da maioria da população. E por isso são nefastos.
Mas que, ali, um grande vagabundo era eu mesmo. E me orgulhava disso. Não acho que o Lula mereça meu voto. Menos ainda esses safados da direita ou da esquerda. O que penso é que devemos parar de acusar tanto essa grande geografia do poder e tentar unir forças que se encaminhem para algumas mudanças de atitudes no comodismo geral. Aprendemos a reclamar e agora precisamos aprender a propor soluções, também. Uma dessas propostas é a de não deixar o movimento ser apenas um evento que acontece anualmente, sem compromisso por parte das pessoas, aparecendo quem quiser, em um local combinado, achando graça não fazer nada. Isso é imbecil! É o contrário disso o que se deve propor. É a união de esforços para se afirmar enquanto veiculo de comunicação de um certo tipo de mensagem. De um certo tipo de se fazer política. De influenciar as opiniões. De procurar pactos, união de gente que pensa e sente como a gente. Usando as armas que se tem às mãos. Lutando durante 365 dias no ano. Esse papo de que o Dia do Nada é alienado. Ou, pior, que é um evento de artistas, não tem a ver com nossa proposta.
A diferença, é que o DDN aposta nas fissuras do sistema para se espalhar, para se expandir, para continuar sua contaminação, para envolver as medulas da ideologia dominante do trabalho. E não do confronto direto, porque isso seria a cooptação do que há de mais interessante em nossa maneira de agir, que é a ironia e a consciência crítica da realidade. Sórdida realidade.

terça-feira, maio 02, 2006

LONDRINA 01 - na prefeitura








Rubão, depois de falar sobre o dia do nada na manifestação do dia do trabalho














As musas do sindserv segurando um folhetinho nosso e fazendo pose para foto.





A mosca morta se espalhando no meio da multidão.

LONDRINA 02 - B.B.






Rubens e Iza, na hora da massagem, de um dia do nada de sol.














Erika, mostrando genitais vegetais e outros sinais;
Marcelinho só de butuca



Cris, incorporando um Eshu politizado e irado, de saia azul e bicicleta cor-de-rosa.

BELÉM





Seguinte, não deu pra ir pra Salvaterra fazer o que tinhamos programado por la.
Fizemos (eu e Marcia Mendes) um City tour na tarde chuvosa de Belém - ai vao as fotos

P.S. - algumas das ótimas fotos de "NADA" que valem, em seu conjunto, uma exposição.

CORNÉLIO PROCÓPIO




























Salve Rubens!Curtimos bastante em fazer os depósitos com NADA dentro.valeu.Um abraço.

S.Marcos, Vanda Di Carmine e Larissa.

folha de londrina

PERFORMANCE - Viva o 'ócio criativo'

O Calçadão de Londrina serviu de cenário, ontem, para mais uma edição do ‘Dia do Nada’, happening artístico e irreverente
Por Nelson Sato
A estudante se aproxima, senta-se no banco da praça e logo é abordada pelo repórter. Você vai participar? Como é que participa? Não fazendo nada. Ah, então eu vou participar. E já estou com vontade de dormir.
Não é a primeira vez que a curiosidade levou a universitária londrinense Patrícia Magalhães a dar uma espiada no ''Dia do Nada'', o happening que o artista plástico Rubens Pillegi Sá idealizou com o objetivo de celebrar o ócio criativo na primeira segunda-feira do mês de maio. Ela conta que também ''deu uma conferida'' na edição do ano passado. No ano passado, aliás, a iniciativa deu o que falar terminando até em xilindró para alguns ativistas. Motivo: eles resolveram tirar a roupa em plena Praça Rocha Pombo. ''A nudez já está incorporada ao Dia do Nada. Hoje vamos responder à polêmica com arte'' diz Pilegi, referindo-se à exposição de desenhos de nus e fotos da genitália de espécies animal e vegetal que seriam montadas até o final da tarde.
Ontem, a manifestação foi realizada no Calçadão central, em frente ao Banco do Brasil. ''O Dia do Nada é um espaço de resistência. Apesar da repressão, não vamos deixar a coisa esmorecer'' completa Pilegi, enquanto outros simpatizantes da causa chegam aos poucos espalhando-se pelas redes de dormir e em volta do sistema de som. A batida preguiçosa do reggae domina a trilha sonora.
Um dos presentes, Cris, é figura conhecida no campus da UEL. Ele faz parte do coletivo da Rádio Marola, uma estação móvel que se instala diariamente ao lado do Restaurante Universitário durante o horário do almoço. Convidado para participar do hapenning no Calçadão, ele aproveita para divulgar as propostas da emissora ambulante. ''A idéia é ambientalizar sonoramente o espaço com música, críticas e recados das pessoas'' diz. É o que pretende fazer também no Centro da cidade, trajando uma saia azul.
Participam ainda do auê anarquista a ambientalista Suzana Rockembach, os artistas plásticos Erika e Leonardo Benatto e o servente de artista plástico Marcelo Henrique. Para acalmar mais os ânimos, Pilegi oferece suco de maracujá e anuncia que logo haverá sessões de massagem aos interessados. Como é feriado, poucos transeuntes passaram pelo Calçadão durante a manifestação.
Atraído pela concentração de pessoas que começava a se formar no local, o balconista Alexandre Machado olha desconfiado sem entender o que ocorre a poucos metros da farmácia onde dá plantão. ''Tem pouca gente ali. Acho que eles precisam de mais participantes, de mais apoio, senão não vão conseguir chamar a atenção'' observa ele, após ser informado do que se tratava. O happening estava previsto para acabar às 18 horas. Uma filipeta distribuída aos passantes resumia o pensamento da trupe: ''Quem inventou o trabalho, não tinha o que fazer''.