https://www.youtube.com/watch?v=UJOvpHksS_U
sexta-feira, maio 23, 2014
segunda-feira, maio 12, 2014
O "nada" a favor do humano - Célia Musilli
Texto de Célia Musilli sobre o Dia do Nada e sobre mim:
"Eu era então editora de cultura e muitas vezes fui questionada sobre o por que de manter no jornal um colunista como o Rubens. Mais de uma vez tive que explicar que a arte acadêmica tinha seu valor, mas precisávamos, já atrasados, nos ligar ao contemporâneo, com as vertentes mais ousadas, às vezes incompreendidas, que abarcam não só a arte "normal", mas também a produção de portadores de problemas mentais como Jardelina. Sempre encarei a arte como um exercício de liberdade, um dos únicos que não preveem fronteiras e, neste sentido, a coluna Alfabeto Visual alfabetizava o gosto, desviando-o dos padrões. "
http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1021-20140511&tit=celia+musilli
quinta-feira, maio 08, 2014
Colaborações DDD 2014
Cy Claudel
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não acão.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.
Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.
Tao Te Ching 道德經 (Cap.48)
Quando nada é feito, nada fica por fazer.
Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.
Tao Te Ching 道德經 (Cap.48)
Valentine Camerron Prisep-sweet repose
Dimi Éter: ...o barco descansa e o poeta nada...
Eliane Boscatto
"SouSeu
Cio
Sou
Seu
ócio
Sou
Seu
Sócio
no
Prazer.
(P.L)
Viva a vagabundagem!!!
(contribuição de Maria Selma Teixeira Alves)
Bolhas de Sabão - por Célia Musilli
O Nada pode ser lúdico, fui fazer bolhinhas
de sabão no Shopping Prado, em Campinas. Mal comecei um segurança veio
falar comigo, incomodado. Estranhou a atitude num shopping, onde todos
compram, comem, bebem. Expliquei do que se tratava, ele me disse:
“Quando for assim a senhora deve falar antes com a administração.”
Imaginem, falar com a administração para fazer bolhas de sabão e ainda
dizem que o nonsense é meu. Então, compreendi que o Dia do Nada é tudo aquilo que já dissemos: um movimento contra o trabalho obrigatório, o automatismo, a mais valia. Mas hj percebi que o “nadismo” vai além disso, mexe com estruturas postas , ainda que seja em manifestações das mais inocentes, como forma de intervenção urbana.
Pouco antes, no mesmo shopping, eu havia ficado quase uma hora numa
fila de Correio, com um pequeno envelope com um livro para postar,
enquanto vendedores postavam 30, 20 caixas antes de mim. Nada contra os
vendedores, mas vi que as pessoas na fila têm uma atitude completamente
bovina, ninguém reclama, todos suportam a espera de um serviço cheio de
falhas. Então, o Dia do Nada é isso, um lembrete de que tudo está
automatizado e que somos máquinas operantes, qualquer atitude diferente
causa estranhamento, causa ruído. Nada mais urbano que um shopping, nada
mais automatizado do que trabalhar para comprar e esperar em filas.
Nada mais lúdico que uma bolha de sabão cortando o cenário da pasmaceira
aprovada pela administração.
Ah! Se fossemos uns mil hj, enchendo o mundo de sabão e ilusão!
(Célia Musilli
Nada Marx
DIA DO NADA CASADO COM O ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DE KARL MARX, o cara que dissecou as relações produtivas. Assim, é bom lembrarmos que o DDN não é contra o trabalho, dado que trabalho é a energia gasta por qualquer corpo para se locomover de A a B. O Dia do Nada é contra o trabalho escravo, mecânico e sem prazer. Assim como é contra a ganância pela mais valia e pelo lucro. Ao contrário do que parece DDN e MARX, assim, tem tudo a ver.
segunda-feira, maio 05, 2014
Colecionador de Nuvens - Dia do Nada 2014
Muita gente
tem um passatempo na vida. Uns colecionam carros, outros colecionam selos. Há pessoas
que usam seu tempo livre para praticar um esporte. Outros, para se divertir. Há
os que esperam chegar o fim de semana e vão ao bar, beber. Ou saem para dançar.
Quanto a mim, todo tempo que me sobra gasto em preencher uma coleção que jamais
chegará ao fim. Eu coleciono nuvens. É. Nuvens. Todas as tardes, antes do sol
se colocar inteiramente no poente, saio apressado portão afora de casa à cata
delas, que se modificam velozmente e se tornam outras e mais outras. E no outro
dia é tudo igual, mas também é tudo diferente. Não se repetem as formas. Mas
também não se repetem as cores que elas capturam do céu, tornando-as únicas a
cada olhar.
Você deve
estar se perguntando como eu as capturo para a minha coleção, mas não se
coleciona nuvens como quem coleciona seixos, por exemplo, pois nuvens são muito
mais etéreas, sem chegar a ser como os sonhos. Quem coleciona sonhos sabe que
não pode contar com o volume, densidade, espessura ou textura da forma em suas
mãos, ainda que, no sonho, aquilo que foi sonhado pareça real. Digamos que uma
coleção de nuvens é mais parecida com uma coleção de estrelas, apenas que você
não pode contar com mapas para catalogá-las e juntá-las em constelações.
Todavia,
para além das categorias dos nimbos, cúmulus e cirros e as derivações que se fazem destas, desenvolvi uma técnica
própria para torná-las, ainda que de modo efêmero, minhas. Aquela, gorda,
grande e branca que deixa-se contaminar por um raio de luz vermelha, ela agora está
grávida de cor. Calculo seu tamanho pela proporção que varia da volúpia carnal
à distância do beijo leal entre dois amigos. Outra, que desce cinza escuro do
céu para pousar na linha do horizonte, concebo-a como nuvem macho e sei que é
dada aos sentimentos. Por pouco não chora, fechando o dia para melancolias ou
uma sessão de pipocas diante da TV. Algumas, mais extrovertidas, me pedem para
tirar foto delas (você não sabia que nuvens gostam de tirar fotos?). E é por meio
das fotos que elas me concedem tirar que me distingo delas e evito tornar-me um
nefelibata. Se assim fosse, não poderia sentir forte vontade de morrer, quando
o avião decola e as recorta enquanto ganha altitude, como aconteceu da última
vez. Era como se transpassássemos uma cadeia de montanhas gigantescas ou,
senão, uma imensidão macia de cores quentes e frias se misturando ao branco e
cinza e prateado e dourado sobre o azul do céu de fim de tarde. Aquilo era o paraíso
que mamãe me contava. Que tinha um Deus sorridente me esperando para a
eternidade. Era aquilo que eu queria ter, mas sabia que não pertencia àquilo,
ainda.
Desde então,
tenho cada vez mais me afeiçoado e me aperfeiçoado na técnica de colecioná-las.
Todo pôr-do-sol é oportunidade. Toda chuva se armando de um dos lados da cidade
é motivo para mais uma busca. Hoje é um arco íris inteiro. Amanhã, uma franja
em forma de nuvem. Depois, um carneirinho, um elefante, um dragão. Tenho todas
elas e nenhuma delas é minha, porque são do instante. São de quem consegue ver
pureza e graça em nada ser. São de quem se deixa ser delas e se tornarem,
também, efêmeros com elas. E livres, uma vez que são filhas da água e
sacerdotes do vento.
Posto,
abaixo, algumas amostras de minha coleção. No entanto, perdi as fichas de
informação sobre as imagens e não sei mais exatamente do que se tratam, dado
que minha surpresa, diante de tanta beleza, tirou a concentração e nada pude
fazer senão o click da foto. Peço a gentileza, caso alguém se permita a vê-las
e, vendo, tiver desejo de nomeá-las e comentar sobre elas, que assim o faça,
certo de que farei desses comentários a legenda de minhas nuvens, compartilhando,
em autoria, tal esforço de catalogação.
quinta-feira, maio 01, 2014
DDN 2014 - convocatória
Caros nadistas, próxima segunda feira já é o DDN 2014, em sua 13ª edição. Minha proposta para este ano é a mais simples possível. Que cada um, do canto que estiver faça acontecer alguma situação nadística. Isto é, convido-os todos para, em algum momento do dia deitar-se na rede para um momento e de relax; brincar com o cachorro sem pensar que aquela hora você deveria estar estudando ou trabalhando; bater uma bola de tarde para relaxar; soltar pipa com a criançada, dormir, tirar algum som para ninguém ouvir, etc. etc. como vocês podem ver no nosso blog: http://nothingday.blogspot.com/ De minha parte, ainda não decidi direito, mas é possível que eu leve uma rede de dormir para uma praça no centro da cidade de Goiânia e passe lá uma parte da tarde. Do seu 'nada' eu gostaria de receber fotos, vídeos ou gravações de áudio para poder alimentar o blog e dar sequência a esse evento que todos nós curtimos. Se quiserem mais informações, entrem em contato. Um abraço e um beijo a todos os irmãos e irmãs de vadiagem (tipo de jogo de capoeira).
segunda-feira, julho 15, 2013
segunda-feira, maio 06, 2013
Reflexões sobre o DDN e apontamentos para os próximos anos
O primeiro DDN foi em 2002, na praça em frente às lojas Pernambucanas, do lado da Catedral, no centro de Londrina. Foi o DDN regional. Benatto, Fernando Martinez, Luizão, Maria Angélica Abramo e uma galera da boa, entre eles meus colegas de faculdade, à época. Demos o nome àquela praça de Pasmatoria Geral da República. Lula iria disputar a presidência e o Marcelinho Henrique, sempre arguto, me disse: "se o Lula passasse aqui perto, certamente desviaria seu caminho para não se esbarrar conosco".
Hoje tive a mesma sensação na UFG, deitado na rede, entre a Biblioteca, a FAV e a Escola de Música. Alguns olhares de desaprovação e gente passando rapidinho, tentando evitar conversa. Achei isso sintomático, mas não espantoso em nossa sociedade onde o Tripalium sacrificial tornado trabalho foi naturalizado. Aqui, nesta Goiânia 'trabalhadêra', é preciso nervos fortes contra a visão hegemônica petencostal, martelando 'que o trabalho enobrece'. Mas, vamos aos fatos: quando Max Weber escreveu A Ética Protestante no Espírito do Capitalismo, ainda não existia nem a progressista cidade de Goiânia no mapa. Ou seja, muito Edir Macedo veio 'picaretear' a fé por aqui depois disso, ainda. Pregar o ócio como resistência cultural onde impera o ditado "cabeça parada é oficina do demônio" é considerado uma forma de heresia. É preciso refletir, ao invés de repetir, como papagaio, verdades prontas.
Me sinto bem agora, depois de ter lutado contra minha própria insegurança de achar que o tema do Nada não tinha mais como se desdobrar. Percebi enquanto dava comida aos macacos. Lembrei-me de Paul Lafargue, Bertrand Russell e tantos outros que desconstruíram a ideia do capitalismo, reivindicando o 'dolce far niente' como matéria prima de um mundo mais justo.
Senti que posso continuar propondo o DDN e que muita gente vai continuar curtindo essa mirada filosófica, sociológica, religiosa e artística que a data evoca.
Nas próximas edições, forçar o mimetismo com a realidade e o cotidiano pode ser interessante como forma de inserir situações onde a sociedade tenha que se deparar com a própria cultura e seu avesso. Saravá de terno preto, meu irmão! Salve o 11º ano do DDN! Ditado por ditado eu fico com esse, que tem a qualidade de propor, ao invés de ser reativo: "a preguiça é a mãe da invenção". O macaco é nosso irmão!!!!!
quinta-feira, março 07, 2013
segunda-feira, outubro 08, 2012
quarta-feira, agosto 31, 2011
terça-feira, maio 03, 2011
alguma reflexão sobre desfuncionalização
Desfuncionalização da porra! – com toda a licença poética que um Dia do Nada com o tema de TODO MUNDO NU tem o direito de ter. Em um momento em que o que mais tem é gente querendo se vender ao mercado dando pinta de estar do lado contrário do mercado. Seja o mercado financeiro, seja o mercado de arte. O próprio processo em que aconteceu o DDN deste ano mostrou que o DDN não tem nada a ver com ideologia, mercado, merchandising e nem com aquele arrrrtístico separado da vida. Utopia? O nome do evento já demostra que é no campo do absoluto que se as idéias e ações no entorno dele se movem: NADA. É pelo desejo do encontro, da camaradagem e, até, de uma pitada de travessura que o evento se realiza já há uma década. Mas muita gente é contra porque a lógica não se encaixa ao nonsense de mostrar que não somos práticos, funcionais e programáveis quanto à ‘modernidade’ nos exige ser. Hora de trabalhar, trabalhar. Hora de descansar, descansar. Consumimos nossas horas consumindo. Até o ócio se tornou produto de consumo. Oras, por que não curtir trabalhando e não trabalhar curtindo? Lembro o primeiro DDN, em 2002, em uma praça em Londrina, quando Marcelinho disse que se o Lula (em campanha para presidente naquele momento) passasse por ali e nos visse, desviava a passeata, fingindo não nos ver. Muitos artistas fingem achar o DDN muito legal, mas a desculpa, já velha, é sempre a mesma: “ué, não era para não fazer nada?” E a minha resposta, sempre na ponta da língua: “era para fazer nada, não para não fazer nada”.
Bem, esse ano começou com uma coisa de se pensar em legalização do nudismo e logo eu vi que não tinha nada a ver (literalmente) levantar nenhum tipo de bandeira. Depois, pintou uma ansiedade de tornar o evento um grande acontecimento, e para mim está claro que o evento é o que ele pode ser, sem forçar nada. Já fizemos eventos com meia dúzia de pessoas é foi antológico. O de 2008, com Giordani Maia, com as faixas no meio da rua foi demais. O de 2005 teve trabalhos incríveis. O de 2003 foi uma das experiências mais interessantes que eu vivi disso que se chama hoje de “intervenção urbana”. Então, não é a quantidade de gente envolvida diretamente que interessa, mas a potência do ato. Agora, em 2011, foi gostoso, simplesmente e, independente da estrutura mínima de uma só pessoa fazendo a fogueira se levantar (e o entusiasmo de poucos e valiosos parceiros) do jeito que foi, foi do caralho! Foi da porra! E essa de ficar pelado foi divertido, foi se desvestir da arte-mercado, da funcionalização das idéias pre-concebidas e dar um tempo – ainda que mínimo – para se carregar do desinteresse amistoso que aquece o encontro entre pessoas desarmadas e cúmplices em seus sorrisos. Aos que foram, beijos, abraços e afagos. Gente, muito agradecido e muito prazer. Aos que acompanharm e aos que torceram, muito agradecido, também. Aos que disseram que iriam e não foram, não tem importância, ano que vem tem mais. E até aos inseridos e defendidos pela ideologia, saibam, isso é só um discurso, na vida real ninguém é contra nada. Nem a favor de tudo.
Bem, esse ano começou com uma coisa de se pensar em legalização do nudismo e logo eu vi que não tinha nada a ver (literalmente) levantar nenhum tipo de bandeira. Depois, pintou uma ansiedade de tornar o evento um grande acontecimento, e para mim está claro que o evento é o que ele pode ser, sem forçar nada. Já fizemos eventos com meia dúzia de pessoas é foi antológico. O de 2008, com Giordani Maia, com as faixas no meio da rua foi demais. O de 2005 teve trabalhos incríveis. O de 2003 foi uma das experiências mais interessantes que eu vivi disso que se chama hoje de “intervenção urbana”. Então, não é a quantidade de gente envolvida diretamente que interessa, mas a potência do ato. Agora, em 2011, foi gostoso, simplesmente e, independente da estrutura mínima de uma só pessoa fazendo a fogueira se levantar (e o entusiasmo de poucos e valiosos parceiros) do jeito que foi, foi do caralho! Foi da porra! E essa de ficar pelado foi divertido, foi se desvestir da arte-mercado, da funcionalização das idéias pre-concebidas e dar um tempo – ainda que mínimo – para se carregar do desinteresse amistoso que aquece o encontro entre pessoas desarmadas e cúmplices em seus sorrisos. Aos que foram, beijos, abraços e afagos. Gente, muito agradecido e muito prazer. Aos que acompanharm e aos que torceram, muito agradecido, também. Aos que disseram que iriam e não foram, não tem importância, ano que vem tem mais. E até aos inseridos e defendidos pela ideologia, saibam, isso é só um discurso, na vida real ninguém é contra nada. Nem a favor de tudo.
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